Januario Garcia - olhar negro, olhar brasileiro
Januario Garcia
Um nome a conhecer melhor. Mais uma grande personalidade negra.
Inteligente, vivaz , otimo argumentador Januario nos conquisata com argumetos simpatia e charme.
O movimento negro nao precisa ser carrancudo. Nos brasileiros reinvidicamos unindo, abraçando.
Busque Januario. Ele sempre esteve perto de nos e com o seu olhar sobre um povo.
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Com Raul
Raul Seixas é outra personalidade inesquecível. "Ele chegou com um litro de uísque que bebeu em pouco tempo, depois pegou uma garrafa de cachaça de Salinas e também bebeu. Aí disse a ele. Raul, você não tem medo de morrer bebendo desse jeito. Ele olhou o infinito, ficou em silêncio, não respondeu. Alguns minutos depois veio uma resposta que sintetiza toda a criação de Raul - "Januário não tenho medo de morrer, tenho medo de deixar de existir". Januário reforça o mito em torno de outro artista, Tim Maia. "Esse era difícil, a gente marcava a foto, arrumava uma pessoa do tamanho dele para definir a melhor luz, quando estava tudo pronto, toda a equipe esperando Tim chegava e dois minutos depois abandonava o estúdio". "Não vou fazer a foto hoje", dizia o compositor de "Só quero dinheiro".
Não foram só as estrelas da MPB que cruzaram o caminho de Januário. Ele mostra um caderno especial do Rio de Janeiro, com fotos de ângulos pouco vistos da cidade maravilhosa publicado pelo Jornal do Brasil. "Olha só quem escreveu os textos desse ensaio". Vejo o nome de nosso poeta maior - Carlos Drummond de Andrade.
Januário tem olhos de caçador e nasceu para ver a beleza. Quando vivia nas ruas do Rio de Janeiro, ainda adolescente pegou uma pneumonia que quase o levou à morte. "Eu estava no hospital e escutei o médico comentando que tinha poucas chances de vida, na hora juntei todas as minhas forças pela vida. Foi um milagre". Graças a esse milagre, Januário pode traduzir em imagens a música e a poesia do Rio de Janeiro. Antes da despedida, olhamos pela janela do apartamento. Na rua ainda estão as crianças.
- "Repare nas casas, sem muros, e só se fala em violência". O Rio é tranqüilo em São Cristóvão, no final da tarde de domingo. As balas estão perdidas em outros lugares. A cidade que luta contra a violência foi capaz também de transformar um ex-menino de rua em Januário Garcia, caçador da imagem do urubu em pleno vôo, da mãe terra e dos mistérios da existência.
Januário Garcia acabou de chegar de Salvador. É uma manhã de sol, num domingo, no Rio de Janeiro. Marcamos a entrevista para às quatro da tarde, na casa dele, em São Cristóvão. Fotógrafo e uma das mais expressivas lideranças negras do Brasil, Januário esteve antes na Nigéria, para fotografar o carnaval da África. Notou muitas semelhanças com a festa de rua de Salvador e resolveu concluir o trabalho na Bahia. São fotos que vão se juntar a um rico acervo que conta a história do movimento negro no Brasil - desde os anos 60. Mas esse não é o único ângulo escolhido pelo ex-menino de rua que um dia trocou Belo Horizonte pelo Rio. A cidade foi generosa com ele. Nos anos 70 e 80, Januário Garcia foi um dos principais fotógrafos das capas dos antigos Long Plays dos grandes nomes da MPB. A foto do urubu em pleno vôo no disco homônimo de Tom Jobim é de Januário, Caetano Veloso no colo da mãe do disco "Muito" também, o Raul Seixas dos dez mil anos atrás também. A lista inclui ainda Chico Buarque, Tim Maia, Belchior, entre outros.