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sábado, 13 de dezembro de 2008

Deu na BBC? Os ingleses se importam mais!

Em uma reportagem de janeiro de 2008 a BBC faz esta analise critica.
Que vergonha! Os estrangeiros nos enxergam como somos: bonitos, fortes e diversos.
Somos tão indios em comermos pamonha e farinha e tão negros no nosso futebol gingado e tão portugueses na nossa tolerância.
Mas ainda temos vergonha de nós mesmos.
Nos nossos desfiles temos menos negros desfilando que na Europa!

E nos shoppings e lojas mais sofisticadas? Estamos na Finlândia?

Brasiligual afirma: o BraZil não conhece o Brasil...

Outra pérola: "Na opinião do ´´stylist´´ Sandro Barros, alguns temas e temporadas não combinam com modelos negras. ´´É mais fácil ver negros nos desfiles de verão´´, diz."
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http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/01/080118_modelosnegrasspfwfn.shtml

Glamour da SP Fashion Week não reflete diversidade do Brasil


Desfile da SPFW
Maioria das modelos da SPFW é branca, de aparência européia
Todo o glamour e estilo que se espera de um evento de moda internacional pode ser encontrado na São Paulo Fashion Week.

O evento já se estabeleceu no calendário da moda e dezenas de fotógrafos disputam as melhores imagens que vão parar nas revistas brasileiras e internacionais.

Mas, mesmo com o Brasil sendo um dos países com maior variedade racial do mundo, a grande maioria dos modelos que participam do evento são brancos, de aparência quase européia.

O Brasil tem mais pessoas de ascendência africana do que qualquer outro país fora da África. Metade da população seria negra ou mestiça e a ausência de modelos negros nas passarelas brasileiras é uma questão que já foi levantada por figuras de influência da moda mundial.

O estilista britânico Judy Blame e Michael Roberts, diretor de moda e estilo da revista Vanity Fair teriam ficados preocupados e surpresos com o fato depois de visitas do país.

Blame teria até observado que estilo não tem cor.

Diferença

Rafaela (dir.) afirma que faltam oportunidades para modelos negras
Rafaela (dir.) afirma que faltam oportunidades para modelos negras
Do lado de fora do prédio da Bienal, onde ocorre o evento, jovens modelos negras falaram sobre sua frustração.

"Acho que o negócio é mais restrito para garotas negras. Mas não sei se isto (acontece) apenas porque somos negras ou porque somos diferentes, com padrão de beleza diferente - nossos cabelos e nossos corpos", afirmou a modelo Rafaela Favero, 19 anos.

"Em um evento de moda é praticamente impossível", afirma o modelo Rafael Milagres, de 24 anos.

"Você precisa ter sorte e alguém que sugira o seu nome. Pois hoje em dia, para participar de um desfile, você precisa estar em uma agência onde a maioria das pessoas é branca, assim como a maioria das agências do Brasil, enquanto apenas 2% dos modelos são negros."

O proprietário de uma das agências que promovem o trabalho de modelos negros afirma que a escravidão pode ter sido abolida há muito tempo no Brasil, mas sua sombra permanece.

Para Hélder Dias, falta trabalho para modelos negros
Para Hélder Dias, falta trabalho para modelos negros
"É como se a abolição nunca tivesse existido. É uma fachada e a história continua", disse Helder Dias à BBC.

"Modelos negros não conseguem trabalho e não têm acesso, não são bem pagos e vivem em um submundo, pois não existem oportunidades de emprego", acrescentou.

Reflexo

Estilistas brasileiros afirmam, por sua vez, que não existe a intenção deliberada de excluir modelos negros e insistem que o mundo da moda apenas reflete a sociedade.

"O Brasil é um país muito misturado etnicamente. Temos muitos negros, muitos japoneses. Na verdade, o Brasil é feito desta mistura, que também aparece em nossas passarelas", disse o estilista Fause Haten.

"Se as modelos são boas, não importa se são brancas ou negras. Não falo não a modelos negras, adoro modelos negras, (...) não tenho nenhum preconceito para trabalhar com modelos negras", disse Dudu Bertholini, da Cori, cujo desfile no primeiro dia não tinha modelos negras.

Quando questionado a respeito das alegações das modelos negras, de que é difícil conseguir trabalho em eventos como a São Paulo Fashion Week, o estilista respondeu com outras perguntas.

"Elas acham? Elas são boas modelos? São bonitas? São altas? São boas o bastante?"

Dudu Bertholini, da Cori, insiste que beleza e talento importam mais do que cor
Dudu Bertholini, da Cori, insiste que beleza e talento importam mais do que cor
Já a jornalista Erika Palomino critica a postura do mundo da moda em relação às modelos negras.

"Algumas pessoas na indústria da moda podem ser muito, muito burras, elas podem ser conservadoras e, às vezes, entendem as coisas muito tarde. Acho que seria maravilhoso ter modelos negros", disse.

Acesso

Paulo Borges, organizador da São Paulo Fashion Week, afirma que a falta de modelos negros reflete problemas maiores da sociedade brasileira.

"Acho que isto reflete a exclusão social no Brasil. Acho que a moda trabalha com uma grande série de perfis e uma série vasta de qualidades estéticas", afirmou.

"Existem vários modelos negras que fazem desfiles e, se não existem mais (modelos nas passarelas), isso é devido à história da raça negra no Brasil, que ainda é uma história marcada por restrições (de aceitação)."

Não restam dúvidas de que as principais semanas de moda no país trouxeram charme e sabor brasileiros para a indústria.

Mas quem quiser que e a face pública da moda no Brasil reflita e diversidade de sua sociedade terá que esperar um pouco mais.

domingo, 9 de novembro de 2008

Candeia - vá ao filme! "E verás que seu filho será principe de verdade!"











Homenagem a Candeia - RJ TV You Tube (veja!)




Poucos e muitos o conhecem.



Verdadeiro poeta e ser humano. Lindas letras e lindas canções (Machado, Drummond, Mário, Caetano e Chico. Tens aí um grande companheiro, não?).


"Sou o adeus de quem parte pra quem a vida é pintura sem arte (...)

Não, não basta ter inspiração,

Não basta fazer uma linda canção

Pra cantar samba se precisa muito mais,

Samba é lamento, é sofrimento, é fuga dos meus ais"


Candeia nos deu palavras, fina arte e ainda assim o desconhecemos.


Veja o filme, ouça a música, fique de olhos abertos. (fantásticos sambas de domingo, e de todos os dias. Obrigado, Mestre Jair!)


Candeia, lançou a Escola de Samba Quilombo que lutava contra o que as "Escolas" de hoje se tornaram.


As escolas seriam o embrião de líderes brasileiros nas comunidades mais carentes de esperança.

Embrião do povo organizado, com lazer, prazer e educação. Melhoria de si.

Hoje, se tornaram o palco do patrocinio instantaneo e dos holofotes para a "gente bonita".

Poderiam ter ajudado no aumento da auto-estima mas apenas reforçam tudo que já está aí.


Leia mais, tenha a Quilombo como a sua segunda escola favorita!

A segunda no coração, a primeira na mente!





“Estou chegando. Venho com muita fé. Respeito mitos e tradições, (...) busco a liberdade, não admito moldes (...) minhas portas estão abertas, mas entre com cuidado. Aqui todos podem colaborar, mas ninguém pode imperar (...) Não quero títulos, não almejo glórias. Faço questão de não virar academia, tampouco palácio. Eu sou o povo.(...)”, diz o manifesto de fundação da Escola.

Eis o visionário:


"Candeia estava descontente na Portela.


Em documento para o presidente da Escola Carlos Teixeira Martins feito por ele, por André Motta Lima, Carlos Sabóia Monte, Cláudio Pinheiro e Paulo César Batista de Faria – em 11 de março de 1975 dizia:



“Escola de samba é povo em sua manifestação mais autêntica. Quando se submete a influências externas, a escola de samba deixa de representar a cultura de nosso povo. Essas influências externas sobre as escolas de samba provêm de pessoas que não estão integradas no dia-a-dia das escolas. Não é mais possível continuarem os integrantes da escola sem acompanhar de perto tudo que se passa na Portela”.



E apontava uma série de sugestões, como a necessidade da Portela assumir posição de defesa do samba autêntico, que não foram sequer discutidas."



Veja o filme!









quinta-feira, 5 de julho de 2007

Coincidência? Exagero?



"Além da impunidade, o espancamento de Sirlei levanta outra questão: o que leva jovens de famílias endinheiradas a cometer crimes? Nos últimos tempos, casos que envolvem delinqüentes bem-nascidos têm engrossado o noticiário policial. Para a psicanalista Junia de Vilhena, que coordena a Clínica de Violência na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, dois pontos combinados explicam esse comportamento: o primeiro é a falta de limites e valores nas famílias. “Os pais só querem ser amigos, não conseguem suportar a raiva dos fi lhos e acabam permitindo tudo. Desde crianças, eles não são acostumados a sofrer a conseqüência de seus atos. Não acreditam em punição”, afi rma. O segundo ponto é a idéia de que negros e pobres são cidadãos de segunda classe. O sociólogo Gilson Caroni Filho concorda: “Aqueles rapazes não saltaram do carro para bater numa prostituta ou numa doméstica. Saltaram para bater numa pessoa pobre. Boa parte da classe média ainda pensa sob a lógica da casa-grande e da senzala”.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Para negros, mais estudo é menos emprego

São Paulo, 09/06/2004
Para negros, mais estudo é menos emprego
Estudo do IBGE aponta que, entre as pessoas de cor preta e parda, os desempregados têm escolaridade maior que os que trabalham

Crédito: Sindipetro Duque de Caxias/Divulgação
RICARDO MEIRELLES
da PrimaPagina

Quanto mais anos de estudos tiver um trabalhador, maior a chance de ele estar empregado. Embora possa parecer verdade universal, esse preceito não vale para brasileiros de cor preta e parda. De acordo com estudo divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), os negros desempregados têm, em média, mais tempo de estudo que os negros empregados — o que não acontece entre os brancos.

Segundo o estudo Características da População em Idade Ativa Segundo a Cor ou Raça nas Seis Regiões Metropolitanas, os negros ocupados estudaram 7,7 anos e os desempregados, 8,0 anos. Os trabalhadores brancos têm mais tempo de estudo, estejam eles empregados (9,8 anos) ou procurando emprego (9,5 anos).

A pesquisa foi feita nas seis maiores regiões metropolitanas do país. Só em uma delas, a de Salvador (BA), os negros empregados acumulam mais anos de estudo que os desempregados (8,4 contra 8,2). Na região de Porto Alegre, não há diferença entre os dois grupos de negros (ambos estudaram, em média, 7,4 anos). A discrepância se manifesta nas regiões metropolitanas de Recife, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. O estudo do IBGE também mostra que o desemprego é maior entre os negros e a renda, menor.

“Não é verdade que, no Brasil, a escolaridade seja para os negros sinônimo de alocação no mercado de trabalho, e muito menos de remuneração igual à de um empregado branco com a mesma escolaridade”, observa a historiadora Wania Sant’Anna, especializada em questões raciais.

Na avaliação de Neide Aparecida Fonseca, presidenta (ela faz questão desse “a” no final da palavra) do Instituto Sindical Interamericano pela Igualdade Racial (Inspir), a diferença apontada pelo IBGE indica que o negro com mais tempo de estudo enfrenta mais dificuldade em conseguir postos de trabalho condizentes com sua formação.

“Ainda predomina uma mentalidade de que nos postos mais elevados não pode haver negros, que os negros servem é para trabalhos manuais, menos qualificados”, comenta. “Para os negros, no Brasil o investimento em educação não resulta em ampliação de renda necessariamente. Mais uma vez, encontramos o fenômeno de alocação de mão de obra negra em postos de trabalho sem prestígio e de baixa remuneração”, concorda Wania.

Segundo Neide, os dados sugerem também que apenas uma política de cotas em universidades públicas não resolve a disparidade no mercado de trabalho: é preciso uma política afirmativa que influa no próprio mercado. Ela defende incentivos fiscais para empresas que, em toda a estrutura hierárquica, apresentarem uma proporção de negros semelhante à da população da cidade ou do bairro em que está instalada.

O PNUD Brasil desenvolve um projeto, em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que visa justamente produzir conhecimento e fomentar o debate para combater e superar o racismo. O projeto chama-se Combate ao Racismo e Superação das Desigualdades Sociais.

Os homens invisiveis do Brasil

Às
vezes andando nas ruas de Copacabana, me sinto como um fantasma.

Estou ao lado das pessoas, mas percebo que sou uma incômoda presença. Quase os atravesso, q

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Cidadãos de bem, velozes, em suas avenidas mentais. O último tênis, o último corte de cabelo, estão apenas cuidando de si. Ilhas e ilhas.

Ah, como queira que aquele menino com suas bolas de tênis nos surpreendesse com a sua habilidade no saibro. Gugas negros.

Somos milhões. E somos etéreos como o ar, por que como maioria, apenas assim podem nos ser indiferentes. Não pesamos quase nada ( e somos milhões!), nos adaptamos a quaisquer situações ("nós faz tudo dotô!).

Cidadãos de bem. Vejo milhares passarem por mim, e mesmo tendo cumprido um verdadeiro roteiro de cinema eu não estou aqui.

Me olho no espelho da vitrine da loja da esquina. Muito jovem, nem mesmo eu me vejo na minha novela das oito.

Afinal quantos protagonistas negros eu já havia visto?

Um segundo, um milímetro e agarro aquela bolsa, dou um piparote naquele guarda, dou um aú e uma rasteira naqule velhinho. Ah, um arrastão! Um mar como eu, em disparada, algazarra, que meninada!

Mais uma vez quase desisto de tudo. Estou descumprindo o papel que está tatuado em minha pele. Sou um marginal. O fato de estar em condicional não altera o meu crime.