sábado, 28 de junho de 2008

OUÇA e PENSE INAICYRA!



Vale a pena o
uvir o CD e pesquisar pela produção acadêmica e a vida de Ianaicyra.

Brasiligual recomenda!
http://www.iar.unicamp.br/docentes/som/inaicyra%2002.mp3

























em: http://www.inaicyra.hpg.com.br/trajetoria.htm

" Da porteira pra dentro, da porteira pra fora", com essa metáfora da territorialidade da tradição nagô, Mãe Senhora, Osun Miuwá, lyalorisá nilê Asé Opó Afonjá, caracterizava as iniciativas de estabelecimento de relações da comunidade religiosa com a sociedade envolvente, de valores distintos, na dinâmica da pluralidade sociocultural brasileira.

Mãe Senhora dinamizou a diplomacia com a sociedade envolvente, atraindo inúmeros artistas, intelectuais de projeção política, que vieram a reforçar a legitimação da comunidade num contexto histórico marcado pela adversidade e pela luta de afirmação de sua identidade civilizatória própria.

Nesse contexto que fora iniciado por Mãe Aninha e Martiniano do Bonfim, quando aceitaram participar do Congresso Afro-Brasileiro, organizado na Bahia por Edison Carneiro, é que também se dá a formação de Deoscoredes Maximiliano dos Santos, Mestre Didi, filho de Mãe Senhora.

Ele ampliará de maneira exuberante essa trajetória política de qualificação dos valores sagrados, também em seus desdobramentos criativos na sociedade "oficial", seja através de seus livros, seja sobretudo através da criação de sua obra escultórica de projeção internacional.

Inaicyra Falcão dos Santos, filha de Mestre Didi, participa deste contexto, e sua trajetória revela o legado dessa atuação "da porteira pra dentro, da porteira pra fora", como neta de Mãe Senhora.

Primeiramente no mundo da dança, toma conhecimento, através de inúmeras viagens ao exterior, de repertório infinito de gestos que desde a tradição religiosa se desdobra pelas ruas e palcos onde emerge o talento criativo alimentado pelo contínuo civilizatório negro-africano.

Ela mesma torna-se dançarina e pesquisadora deste universo, realizando estudos e concluindo cursos de pós-graduação na Universidade de Ibadan, na Nigéria, e participando das experiências de vanguarda de recriação da linguagem da dança no contexto afro-brasileiro, especialmente nas montagens dos autos coreográficos do Grupo Arte e Espaço da SECNEB, onde destacamos AJAKÁ, Iniciação para a Liberdade.

Posteriormente, já de volta definitivamente ao Brasil, exercendo a docência na Universidade de Campinas, descobre seu talento de cantora lírica, trabalhando na recriação da música sacra negra.

É toda essa dimensão de experiência estética que Inaicyra levará para o terreno da Educação, procurando revolucionar a pedagogia, referindo-se à emoção artística como fonte de mobilização para a aprendizagem, transmissão de conhecimento e saber.

Texto de Marco Aurélio Luz

sábado, 26 de abril de 2008

Somos Gênios

Personagens e personagens brasileiros são omitidos quando estudamos a nossa História.
Quando não assumimos as nossas origens ignoramos os gênios e fortes da nossa raiz brasileira.
Estamos nos conscientizando que nunca fomos feios, fracos, passivos e ignorantes.

Nunca chegaremos ao futuro se não nos olharmos e vermos as nossas origens africanas e a contribuição para aquilo que vagamente chamamos Brasil.

Somos eruditos, somos belos e sempre transformamos o nosso país em um cruzamento do melhor de vários povos, porque também somos vários.

Quando não tivermos vergonha de sermos negros, aí seremos mais brasileiros, sem pudor de sermos os líderes mais preparados para um mundo plural.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_Maur%C3%ADcio_Nunes_Garcia

O preconceito racial existe e apenas aos excepcionais como José Garcia conseguem se destacar.
É preciso ser mais para um negro ser igual. Brasiligual luta: igualdade para ser HUMANO (sem precisarmos sermos SOBRE- HUMANOS).

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Extrato de http://gazetaonline.globo.com/jornalagazeta/caderno2.ag/caderno2_materia.php?cd_matia=427713&cd_site=86

Gênio

Em "Te Deum Requiem" está registrada uma das mais importantes obras do padre José Maurício Nunes Garcia (1767-1830), compositor que colocou o Brasil na rota da música erudita da época. Para o regente da Orquestra Sinfônica da UFRJ, Ernani Aguiar, responsável pela direção musical do CD, o padre foi o maior compositor não-europeu de sua época. "Além do grande gênio que foi, ele atuou nos primórdios do ensino de música no Brasil", afirma Ernani.

Nascido no Rio de Janeiro, José Maurício Nunes Garcia transitava com tranqüilidade na corte, mesmo sendo mulato de origem humilde, neto de escravos. A chegada da Família Real proporcionou ao padre ganhos e perdas. "Com a vinda da corte, ele teve prazeres e agruras. O fato de ele poder contar com músicos melhores para executar suas músicas foi uma vantagem, mas ele também despertou a inveja entre alguns músicos que não aceitavam o fato de ele ser mulato. Isso influenciou sua música, principalmente pelo fato de José Maurício ter ligações com as camadas mais pobres", comenta o regente, que exemplifica: "No final da execução do ‘Requiem’, por exemplo, é possível notar influência das modinhas brasileiras. Isso fascina até hoje os europeus".

Para o cravista e diretor do disco "Modinhas Cariocas", Marcelo Fagerlande, esse gênero está na base das canções populares brasileiras. "Era um tipo de canção tanto da rua quanto dos salões, porque era sentimental. Era cantada por nobres e boêmios, em todos os lugares", explica.

Para a gravação, Fagerlande teve de adaptar esse universo musical ao formato do disco. "Gravar um álbum de modinhas é um desafio, porque é um gênero que poderia ser todo muito igual, já que são canções de amor geralmente lentas. Procurei colocar uma grande variedade de instrumentos e vozes."

Segundo o professor da Faculdade de Música do Espírito Santo (Fames) Sérgio Dias, a vinda da Família Real portuguesa provocou uma grande reviravolta nos destinos da música no Brasil, porque a corte exigia uma pompa a que não estávamos acostumados. "Tudo se transformou muito. As crônicas da época afirmavam que o Rio de Janeiro era a cidade com a maior quantidade de pianos do mundo", cita Dias, referindo-se à tradição musical da capital fluminense, realidade que se mantém até hoje.

domingo, 6 de abril de 2008

Negros à vista!

A TV brasileira vem se dobrando à força do brasileiro.
Ver-se no espelho é uma necessidade humana. Os negros não tinham vez nas novelas e propaganda brasileiras. Agora, com a ascensão da classe média e aumento da renda (e não por conscientização dos profissionais de mídia) os negros se tornaram visíveis.

Chegará o dia em que tornaremos este poder econômico - e em breve midiático - em poder político.

Somos 50% da população, com ascensão de poder econômico. Ou seja, para crescer e ser feliz o Brasil precisa de nós!

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Em: http://exclusivo.terra.com.br/interna/0,,OI2009213-EI9058,00.html

]

'Duas Caras' valoriza a beleza afro no horário nobre

Ana Carolina de Souza



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A novela Duas Caras reúne time inédito de jovens e belas atrizes negras, mais perfeitas traduções femininas da música Negro Gato - sucesso de Roberto Carlos e tema do personagem Evilásio (Lázaro Ramos) na voz de MC Leozinho.

» Fotos: as musas da trama
» Leia o resumo da novela
» Leia mais notícias em O Dia

A atriz e ex-BBB Juliana Alves, 25 anos, é uma delas. Ela vive Gislaine Caó. "Apesar de o figurino dela não ter nada a ver comigo, estou me divertindo com esse visual funkeiro", confessa. Juliana fez uma série de tratamentos para diminuir o volume do cabelo.

"Os fios ficaram esticados, não estão lisos nem enrolados. Para os cachos ficarem mais bem definidos, faço uma trança e só tiro na hora de sair de casa", ensina a atriz.

A estreante Raquel Fiuna, 20 anos, comemora seu papel na trama das 20h, a prostituta Victoria. "Estou realizando o grande sonho da minha vida: atuar numa novela", conta ela, que fez aulas para aprender danças sensuais. "Meu próximo namorado vai ser um cara de sorte", brinca.

Outra personagem que está dando o que falar é Sabrina, a doméstica de Cris Vianna, 30 anos, que vive às voltas com o filho do patrão, Barretinho (Dudu Azevedo), que tenta de tudo para seduzi-la. "Isso de não saber se ela vai ceder ou não está sendo ótimo", conta Cris, que mantém a forma com boa alimentação e balé clássico.

"Não gosto de fazer musculação", conta ela. Cris aprova a escolha do elenco. "Duas Caras trata do que já é realidade. Tem empregada branca e negra, tem favelado branco e negro", analisa. Também do núcleo da Portelinha, Adriana Alves, 30 anos, foi convidada pelo diretor Wolf Maia para interpretar a sarada Morena. "Wolf me disse que precisava de uma atriz que chamasse atenção pelas curvas", lembra. Adriana confessa sofrer para manter o corpo em forma.

"É muita malhação, exercícios localizados, muito líquido e boa alimentação", conta a atriz, que diz ter passado por dificuldades no início da carreira por ser negra: "Mas Duas Caras está aí para fazer essa diferença. São muitas atrizes negras e lindas no elenco. Estamos bem representadas."

O Dia

domingo, 30 de março de 2008

Executivos - estaremos na próxima capa

A falta da visibilidade de lideranças negras deprime. Visibilidade, sim, pois lideranças negras e exemplos existem.

Temos que buscar na mídia estes casos e noticias sobre os novos líderes, preparados para o desafio deste novo século.

Brasiligual busca estas informações: mostrar que silenciosamente, o interesse na diversidade aumenta a cada dia e que a inserção do país no mundo provocará e será fruto da nossa ascensão.

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No blog da Miriam.

Executivos de Valor

Líderes brasileiros são todos iguais, só mudam de empresa

Caro leitor, dê uma olhada no jornal Valor Econômico desta terça. Lá na capa estão os retratinhos de 21 líderes de Valor, escolhidos como os "Executivos de Valor".

O que há de errado naquela longa fila de retratinhos? Eles são todos homens, e todos brancos! Tente fazer uma lista desta nos Estados Unidos e você terá muito mais diversidade. O Brasil acostumou-se com isso como se fosse normal, num país onde as mulheres tem mais escolaridade, que os homens, num país em que metade da população é classificada como negra pelo conceito do IBGE (que junta pretos e pardos), é no mínimo estranho que só haja destaque para homens brancos.

A culpa evidentemente não é do jornal. Ele é apenas o mensageiro. No universo onde escolhe os que se descatam e chegam às chefias das empresas são homens e brancos. As mulheres começam lentamente a furar o teto que as limitou à média gerência e algumas estão chegando aos boards das empresas. Mas é tão raro que, quando uma vira presidente, vira ao mesmo tempo uma celebridade.

As empresas brasileiras precisam olhar direito seus processos de seleção e de promoção porque, se olharem com honestidade, verão os mecanismos de filtro discriminatórios muito bem escondidos no jeitinho brasileiro de discriminar, o dissimulado.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Documentario Preto e Branco - vale a pena assistir


Um documentário que vai além do título


e analisa mais profundamente as relações raciais e sociais no Brasil.
Vale a ver, rever e compreender.

E mais uma vez, reafirmar que existe preconceito.
Desconcertante é ver que o preconceito é inato, como na passagem da negra que sente os olhares em São Paulo à sua presença. Enquanto isso, pede que os nordestinos saiam de São Paulo.
Somos humanos, os pecados dos outros são os nossos pecados.

Por isso, temos que nos unir em uma luta diária a favor de nós mesmos.


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"Preto e Branco" analisa relações inter-raciais no país
Foto Divulgação
O rapper Sabotage em cena do documentário Preto e Branco

SÃO PAULO (Reuters) - O documentário "Preto e Branco", de Carlos Nader, avalia a idéia suspeita de que as raças coexistem de forma pacífica e harmônica no Brasil.

O filme, que estréia na sexta-feira em São Paulo, é composto por quatro curtas-metragens documentais. Para comprovar a sua tese, Nader mostra diversos personagens, brancos e negros, em seus cotidianos. Assim, ele prova como o racismo e a cor da pele influenciam as vidas dessas pessoas.

"Os problemas raciais estão longe de ser resolvidos no Brasil. Aliás, andam de mãos dadas com a questão social", disse Nader em entrevista à Reuters.

No primeiro episódio, o documentarista investiga como um homem branco e cego de nascença encara a questão do preconceito racial. "Meu interesse era saber como uma pessoa que nunca viu cores, encara a diferença entre o preto e o branco. O resultado foi inesperado", contou.

No segundo segmento, como o próprio Nader explicou, há a "lavagem de roupa suja entre um casal e um representante do Movimento Negro". Esse acerto de contas mostra a diferente visão de cada lado sobre a questão racial. O casal, formado por um branco e uma mãe de santo negra, tinha uma velha rixa com o homem e a discussão entre eles mostra como muitas pessoas encaram a diferença da cor de pele no Brasil.

O terceiro curta estabelece paralelos entre dois afro-descendentes de sucesso. De um lado está um advogado e de outro o rapper Sabotage, morto em 2003.

No último episódio, "Preto e Branco" retrata um casal que, segundo o próprio diretor, é até um clichê. "Mostramos o dia-a-dia de uma mulata, passista de escola de samba, casada com um holandês. Os dois viviam entre o Brasil e a Holanda e abordamos a questão racial na vida deles", definiu Nader.

O diretor contou que percebeu uma mudança ao longo dos anos e os negros deixaram de ter vergonha da sua cor. "Mulheres que se definiam como mulatas passaram a se assumir como negras. Isso reflete uma mudança na abordagem dessa questão", explica. Para o diretor, "elas passaram a sentir orgulho do que são".

Nader se interessou pelo tema quando vivia na Europa e trabalhava em redes de TV locais. Ele notou que o Brasil tem uma forma muito peculiar de lidar com a questão do preconceito racial.

Enquanto fazia um documentário sobre o assunto para um canal europeu, percebeu que este era um tema que poderia ser explorado. "Ao longo dos quatro anos que trabalhei nos curtas surgiram mudanças na abordagem da questão racial no Brasil", disse.

O tema central dos filmes do videomaker é a busca da identidade. Nader produziu diversos documentários para canais de televisão europeus e, em 2000, ganhou o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro na categoria melhor vídeo com o curta "Carlos Nader". Seu mais novo trabalho, "Cross", concorre no VideoBrasil 2005 no próximo mês.

terça-feira, 18 de março de 2008

Visita de Rice à Bahia - expõe contradições do Brasil

A passagem de Condoleeza Rice demonstra a distancia entre Brasil e EUA na questão das oportunidade aos negros e quantas oportunidades perdidas.

O presidente Lula necessita brigar para ter um negro na Suprema Corte. O Brasil é o país do futuro enquanto se esconder e esconder boa parte da sua população.



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Em http://br.invertia.com/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200803140313_RED_71084592

Governador pede apoio de Condoleezza para mais vôos à BA

Fabiane Madeira
Direto de Salvador

O governador da Bahia, Jaques Wagner, pediu à secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, apoio para conseguir mais vôos dos Estados Unidos para o Estado, pois atualmente só tem um vôo direto por semana para Salvador.

A visita da secretária é estratégica para a revisão do acordo comercial bilateral entre Brasil e EUA que determina a quantidade de vôos originados para ambos os países. A Secretaria de Turismo acredita ser esse um documento já ultrapassado, porque não contempla uma nova realidade: o crescimento do turismo étnico-afro na Bahia, motivado pela curiosidade dos negros americanos em conhecer a sua ancestralidade africana.

O Programa de Desenvolvimento do Turismo Étnico-afro foi lançado pelo governo em agosto do ano passado, durante as festividades da Festa da Irmandade da Boa Morte, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano, que a cada ano atrai um número cada vez maior de visitantes estrangeiros. Na época, o Ministério do Turismo assinou um convênio no valor de R$ 1,245 milhão para ações imediatas de diagnóstico.

sábado, 15 de março de 2008

Lula pede espaço para negro - Obrigado, Presidente, mas "Nós" iremos à luta!

Quando mais um presidente (o primeiro foi Fernando Henrique Cardoso) admite o racismo no Brasil devemos refletir: quando a raiz do nosso atraso será atacada?
A escravidão está profundamente arraigada na nossa cultura.

Elevadores de serviço e quartos de empregada são a testemunha de quanto ainda somos dependentes do atraso economico de parte da nossa população.

É incompatível o desenvolvimento sem a liderança da maioria da população.
Somos invisíveis, e para um Brasil potência, seremos líderes.

A revista Veja continua a ignorar o problema. Minimiza o fato, diz que o presidente reclama novamente da imprensa, relembra o caso da Ministra anterior.
Erros devem ser punidos e ponto.
Enquanto a revista elogia os americanos pelos feitos e liberalidade economica, seletivamente esquece do desenvolvimento social e busca de igualdade (especifico aos negros, que lá são minoria) naquele país.

Mas cabe a nós, brasileiros de todas as origens, argumentar e modificar a linha editoria da revista (ou mudar de leitura).


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Lula pede espaço para negro
14 de Março de 2008

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou na madrugada desta sexta-feira que os negros precisam de chances para ampliar seu papel na sociedade. Em discurso na cerimônia de formatura da primeira turma da Unipalmares, universidade paulista que tem 87% de alunos negros, Lula lamentou os efeitos do preconceito racial no país. De acordo com ele, há poucos negros em profissões de destaque, mas esse quadro deve melhorar daqui em diante.

"A gente tem que acreditar que o Brasil começou a mudar, porque a gente não via um negro no banco a não ser que fosse para depositar dinheiro para o patrão. A gente não via negro dentista nem médico. Poucos negros são advogados", disse o presidente. "Eu lembro o esforço que fiz para encontrar um negro para levar para a Suprema Corte deste país", completou ele, em referência ao ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Como de costume, Lula reclamou da imprensa, dizendo que os jornais, revistas e emissoras de televisão costumam mostrar os negros em situações negativas. "Quero que a imprensa consiga retratar a beleza e a cara desses jovens que estão recebendo seus canudos. Porque muitas vezes o povo não consegue nem conquistar a auto-estima. Quando mostram um negro na televisão, normalmente é quando ele está sendo preso pela polícia", disse o presidente.

A formatura, realizada no Ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, reuniu dezenas de políticos e autoridades. Além de Lula, estavam na cerimônia o governador de São Paulo, José Serra, o prefeito da cidade, Gilberto Kassab, e seis ministros, incluindo o novo titular da pasta da Igualdade Racial, Edson Santos. A antiga ocupante do cargo, Matilde Ribeiro, caiu por causa do escândalo dos cartões corporativos -- ela pagou despesas pessoais com eles.

domingo, 9 de março de 2008

O racismo existe no Brasil (ou "Uma Mentira Conveniente")

(fonte do gráfico:reportagem abaixo)

Existe uma lenda que no Brasil não existe racismo. A maioria dos defensores desta idéia desconhecem a História brasileira. Não sabem da repressão e politicas oficiais contra os negros.

Mais do isso: basta olhar para fora nas ruas que se vê o preconceito.

Negros eram impedidos de ser comerciantes , de praticar a sua religião, escolher livremente as suas esposas e maridos. Mesmo assim, fomos líderes da sociedade brasileira - Machado de Assis, Pelé, Aleijadinho, Henrique Dias - honram o nosso nome. Por ignorar o negro o brasileiro é o menos patriótico dos povos. Como podemos fingir esquecer metade do nosso povo e ficarmos em paz?

A reação dos internautas ao arquivo abaixo (neutro na sua argumentação) demonstra como a parte mais esclarecida do país (e que se associa aos "brancos" brasileiros) teme perder o dinheiro público , fácil e garantido do Estado.

Por quê? (ou melhopr, até quando?)

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01/03/2008 - 08h00 - Atualizado em 01/03/2008 - 10h13

Apenas um negro passa em medicina na Fuvest 2008

Ao todo, 37 cursos não têm nenhum ingressante negro na primeira chamada.Os convocados negros somam 1,8% dos calouros.

Somente um estudante negro foi convocado em primeira chamada para cursar medicina em 2008 pela Fuvest. A Universidade de São Paulo (USP) em São Paulo e em Ribeirão Preto e a Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa ofereceram, ao todo, 375 vagas. A informação é do questionário socioeconômico do vestibular 2008, respondido por 369 ingressantes no curso.

O número de indígenas foi maior que o de autodeclarados negros: dois contra um. A Fuvest, fundação que realiza o processo seletivo, divide os estudantes em cinco categorias. Além dos negros e índios, 28 estudantes se declararam pardos, 59, amarelos e a grande maioria, 279, brancos.

Em medicina, a proporção de negros em 2008 não é muito diferente dos últimos vestibulares. O vestibular 2007 foi o que teve mais negros, entraram quatro. Nos dois anos anteriores, somente um estudante se declarou negro. E há cinco anos, nenhum se declarou negro.




Mas se a desproporção é grande em medicina, que tem a nota de corte mais alta na primeira fase, em outras carreiras pode piorar: em 37 nenhum candidato autodeclarado negro conseguiu garantir uma vaga. Entre esses cursos está jornalismo, que foi o mais disputado do processo seletivo 2008. Ainda de acordo com os dados da USP, o concorrido curso de direito, teve apenas quatro calouros negros, dentre os 560 ingressantes.

Para o Frei Valnei Brunetto, que dirige a Educafro, uma ONG voltada para a inclusão social do negro e que oferece cursinhos comunitários, os percentuais mostram que o negro ainda não garantiu o acesso na maior universidade pública do país.


“A grande maioria da nossa sociedade marginalizada é a de cor negra. Isso se reflete nas nossas instituições de ensino superior”, afirma. “Não defendemos as cotas como algo eterno ou permanente, mas como um instrumento para resolver essa desigualdade, que é momentânea. Quando a sociedade atingir a equiparação entre as raças, não fará mais sentido ter cotas.”

Top do ranking da diversidade

No top do ranking da diversidade está o curso de ciências da atividade física, na USP Leste, que classificou oito negros dentre os 60 calouros. Um dos ingressantes preferiu não declarar a cor e não respondeu ao questionário socioeconômico. A proporção de autodeclarados negros é de 13,6%.

Logo em seguida, aparece o curso de música em Ribeirão Preto, com 10,3% de negros e, em terceiro lugar está a licenciatura em artes cênicas, com 10% de negros convocados na primeira chamada.

No geral, 1,8% dos ingressantes na USP são negros, 0,3% são indígenas, 10,9% são pardos, 9% são amarelos e a maioria, 78%, se declarou branca.

No Brasil, segundo dados de 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 49,7% da população é branca, 6,9% preta, 42,6% parda e 0,8% amarela ou indígena. Já no Estado de São Paulo, o percentual da população que se declara branca é maior do que na média do país, 67,9%, e o de negros, menor: 5,8%.

Inclusão social na USP

A USP não tem cotas. Sua política de ação afirmativa é oferecer 3% de bônus sobre a nota no vestibular de estudantes que tenham estudado na rede pública. Pelo segundo ano consecutivo a universidade não conseguiu atingir as metas de inclusão social. O G1 entrou em contato com a universidade às 14h15 desta sexta-feira (29). A asssoria de imprensa retornou às 16h30 e informou que não havia ninguém disponível para falar sobre o assunto nessa sexta.

Para o Frei Valnei, o acréscimo na pontuação não atinge seu objetivo. “A medida é muito aquém da necessidade do estudante. São necessários instrumentos melhores do que esse bônus. É um auxílio que é de fachada e não gera mudanças substanciais”, avalia.


terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Quem foi Rubem Valentim? Negro? Emblema da arte?

Mestre e criatura. (Vc já foi a Bahia, nego? então vá ver no MAM-BA aonde está a força daquela terra!)
Quem seríamos sem estes homens que vão além?
Valentim se descobriu brasileiro valorizando o seu "eu" negro, sem se esquecer branco e índio.
Brasiligual lembra: o orgulho de sermos vários, nos fará lembrar o prazer de sermos africanos.
Nos descobrindo assim saberemos as nossas forças e o trabalho por terminar em nosso país. Ignorando as nossas origens apenas nos atrasaremos e sofreremos mais como alguém que renega os seus pais.



Em http://www.mac.usp.br/projetos/seculoxx/modulo2/modernidade/espraiamento/bahia/valentim/index.html

"(Salvador, BA, 9/ 11/ 1922 - São Paulo, SP, 30/ 12/ 1991)

Considerado um dos mestres do construtivismo no Brasil, Rubem Valentim é comparado a Alfredo Volpi e Tarsila do Amaral, no sentido em que os três, cada um a seu modo e a seu tempo, criaram uma linguagem individual que os tornou facilmente reconhecíveis até para um público leigo através da realização de uma antropofagia de fato, reunindo influências externas para criar uma arte autenticamente brasileira, partindo de imagens subjetivas mas construindo sua obra objetivamente. No caso de Rubem Valentim, isto está claro nos seus emblemas que, a partir de signos do candomblé, se transformam em uma simbologia construtiva consoante com a linguagem internacional."

Em http://www.pitoresco.com/brasil/valentim/biografia.htm

«Minha linguagem plástico-visual signográfica está ligada aos valores míticos profundos de uma cultura afro-brasileira (mestiça-animista-fetichista).

«Com o peso da Bahia sobre mim - a cultura vivenciada; com o sangue negro nas veias - o atavismo; com os olhos abertos para o que se faz no mundo - a contemporaneidade; criando os meus signos-símbolos procuro transformar em linguagem visual o mundo encantado, mágico, provavelmente místico que flui continuamente dentro de mim.


terça-feira, 22 de janeiro de 2008

Mas um dia esquecido pela mídia? (por acaso?)


Bem, mais um dia esquecido pela mídia.
O dia de MARTIN. Dia do líder negro que mobilizou milhões pacificamente.
Símbolo de algo que não querem que aconteça no Brasil.

Os EUA, segregacionista, tem como uma das datas mais respeitadas, o dia de Martin Luther King.
Os negros americanos são minoria.

No Brasil, somos MAIORIA.
No Brasil, a data de Zumbi é desconhecida, folcórica.
No Brasil, país dominado pela cultura, símbolos negros, não se falou de MARTIN.


Brasiligual (re)fala:

- Mesmo as noites totalmente sem estrelas podem anunciar a aurora de uma grande realização

- Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.

E (re) inventa:

Esquecidos somos, lembrados seremos.
Se o Brasil é o país do futuro, é por que nos espera para liderá-lo.


01 O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente.

02 Enfrentaremos a força física com a nossa força moral.

03 Tenho visto demasiado ódio para querer odiar.

04 Eu tentei ser direto e caminhar ao lado do próximo.

05 Não permita que ninguém o faça descer tão baixo a ponto de você sentir ódio.

06 Nunca estarei satisfeito até que a segregação racial desapareça da América.

07 Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.

08 Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos vivam em uma nação onde não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pelo seu caráter.

09 O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem-caráter, dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons.




sábado, 8 de dezembro de 2007

Ah, a História! Darwin e o Brasil: "A escravidão me dá nojo!"

Darwin, esteve no Brasil.
O que ele escreveu?



Em:http://www.igrejanova.jor.br/edmarabr03.htm

DARWIN E A ESCRAVIDÃO


Inácio Strieder

Quando se fala em Charles Darwin, lembramo-nos imediatamente da teoria da evolução, da sobrevivência do mais forte, da seleção natural. Darwin, no entanto, também era socialmente sensível. Após a sua viagem, de 1831-1836, publicou o relato que fez a bordo do Beagle, navio que o levou por cinco anos pelo Atlântico e pelo Pacífico. Este relato da "Viagem de um Naturalista ao redor do Mundo" foi publicado, pela primeira vez, em 1839 e teve, posteriormente, uma edição corrigida pelo próprio Darwin. Na viagem de ida, o Beagle encostou em Salvador da Bahia e no Rio de Janeiro. Na volta, aportou novamente em Salvador e, por causa de ventos contrários, entrou também no Porto do Recife. Em 19 de agosto de 1836 deixou definitivamente as costas brasileiras, rumo ao Cabo Verde. As considerações de Darwin sobre a escravidão no Brasil são relativas ao que observou no Rio de Janeiro, na viagem de ida, e, na viagem de retorno, quando permaneceu por alguns dias em Recife.

Quando Darwin deixou Londres, em dezembro de 1831, tinha apenas 22 anos de idade. Era um jovem curioso, sensível e crítico. No Rio de Janeiro, em abril de 1832, um inglês o convidou para visitar sua fazenda, afastada da cidade. Nesta viagem, Darwin observa a situação dos escravos, e presencia o suicídio de uma escrava negra, precipitando-se de um rochedo, quando estava para ser recapturada. Darwin também viu escravos recebendo chibatadas e serem marcados a ferro. Além disto, testemunhou também a desumanidade de um dono de escravos, que, por pura ganância, separou diversas famílias de escravos, arrancando esposas a maridos, filhos a pais, irmãos a irmãos, enviando-os ao mercado de escravos no Rio de Janeiro, para que fossem vendidos. Presenciou também a humilhação de um escravo, mais humilhado do que o mais miserável animal doméstico, que nem levantou a mão para se proteger de um golpe que lhe foi desferido no rosto. Em Recife, ao sair pelas ruas, Darwin declara que ouviu gritos de escravos sendo torturados nos fundos das casas. E confessa que, mesmo posteriormente quando já na Inglaterra, toda vez que ouvia gritos de alguma pessoa, se lembrava dos gritos dos escravos sendo torturados no Brasil.

Quando Darwin deixa o Porto do Recife, relata que dá graças a Deus por poder deixar as costas brasileiras, e espera nunca mais precisar voltar ao Brasil, enquanto ali perdurasse o sistema de escravidão.

No seu livro "Viagem de um naturalista ao redor do mundo", Darwin também escreve que, em conversas no Rio de Janeiro, ouviu "pessoas de bem" afirmarem que a escravidão era um mal tolerável. Estas pessoas diziam-lhe que perguntasse aos próprios escravos, em suas casas, como se sentiam. Darwin observa que, evidentemente, nenhum escravo era tão burro para criticar os seus donos. Pois, mais dia menos dia o patrão chegaria a saber, e o resultado seria a chibata. Darwin se mostra escandalizado com estes "escravocratas de bem", pessoas que todos os dias rezavam a Deus, pedindo-Lhe que se fizesse Sua vontade na terra como no céu. A consideração da escravidão, como mal tolerável, só podia provir de elites que nunca haviam entrado nas senzalas e observado a vida miserável e de humilhação nestes ambientes. E Darwin adverte, primordialmente como naturalista, que a tortura e a humilhação dos escravos também tinha o seu limite. Pois, até mesmo os animais mais domesticados, quando torturados e humilhados, se tornavam violentos. Sinais de reação já se podiam observar, quando muitos donos de escravos demonstravam um grande medo, temendo vinganças destes homens rebaixados a condições inferiores às dos animais.

Assim, Darwin deixou as costas brasileiras, declarando que, objetivamente, não gostava do Brasil, por causa do regime de escravidão. Claro, entretanto, a história caminhou mais 165 anos. Mas, o que diria Darwin hoje das condições sociais do Brasil? Das dezenas de milhares de pessoas ainda hoje trabalhando em regime de escravidão? Será que muitas das violências que, todos os dias, nos assustam e escandalizam não são reflexo das sombras do regime de escravidão, que humilhou, durante séculos, a maioria da população trabalhadora no Brasil? Talvez, a observação de Darwin, de que até os animais domésticos se tornam violentos, quando torturados, fosse um dos pontos de partida para analisar algumas das manifestações de violência no Brasil de hoje.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Negro em Salvador - Negro no Brasil - Lidere!

Para quem so pula atrás do trio eletrico, atras das cordas protetoras do Carnaval de Salvador e nao ve a realidade.
No Brasil dizem nao existir preconceito racial porque somos "misturados", no entanto todos sabem a cor e aparencia da "boa aparencia" e a cor dos que estão fora das cordas, dos clubes.
Esta divisão não vem por merito, por um sistema educacional de iguais oportunidades. Pelo contrario, as vagas são preenchidas de pai para filho, por QI (quem indica) e por manter as escolas publicas com um baixo nivel.
No mundo moderno a maior riqueza é o capital humano, e o Brasil despreza o potencial de milhões de cidadãos negros.
Daí a conclusão: temos que quebrar os preconceitos e ver que transformar o nosso futuro em Negro é definitivamente bom.

Quer estatisiticas então leia! (das Nações Unidas):
Em: http://www.pnud.org.br/raca/reportagens/index.php?id01=1698&lay=rac





Belo Horizonte, 02/01/2006
Bairros ricos repelem negros em 7 capitais.
Mesmo com renda elevada e grau de escolaridade avançado, negros optam mais por viver em distritos com renda média inferior

ALAN INFANTEda PrimaPagina

As pessoas com renda elevada e grau de escolaridade avançado tendem a morar em bairros de classe alta, certo? Nem sempre. Um estudo que incluiu nessa combinação o componente racial mostra que a cor pode ser mais determinante que o poder de compra e a educação na hora de o indivíduo escolher o lugar onde vai morar. As condições socioeconômicas são um importante fator para que os negros sejam maioria nas áreas carentes e minoria nas regiões mais ricas, mas essa distribuição espacial da população também está ligada à discriminação.
A avaliação está no estudo
Desigualdades Raciais nas Condições Habitacionais da População Urbana, produzido pelo economista e demógrafo Eduardo Rios Neto, professor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). O trabalho, que municiou a elaboração do Relatório de Desenvolvimento Humano Brasil 2005 — Racismo, pobreza e violência, mostra por meio de mapas que em sete grandes capitais — São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Recife, Salvador e Porto Alegre — os distritos com menor proporção de pobres são também os que têm menor percentual de negros.
O trabalho aponta que há uma maior segregação racial nas classes mais altas, “o que se pode inferir que a segregação racial entre brancos, pretos e pardos não pode ser atribuída apenas ao status socioeconômico, fatores como auto-segregação e racismo também têm que ser levados em consideração”.
O levantamento revela que em Belo Horizonte, por exemplo, quase 40% da população que está entre os 20% mais ricos precisaria mudar de bairro para que a proporção de pretos e brancos fosse a mesma em todas as áreas da cidade. Ou seja, existem pessoas pretas que, apesar de terem condições de morar em um distrito de classe media alta, optam por viver em áreas onde o padrão de renda é inferior. O mesmo se observa entre a população com mais de 11 anos de estudo (curso superior completo). Nesse grupo, 40% dos negros e 40% dos brancos precisariam passar a viver em outra região para que a distribuição espacial fosse equânime.
Esse percentual da população que precisaria se deslocar para que a distribuição espacial fosse igual — chamado pelo estudo de índice de dissimilaridade — não fica abaixo de um quinto em nenhuma das capitais pesquisadas. Em Salvador, onde mais de três quartos da população é negra, essa taxa chega a 30%. Em Recife, que tem o melhor índice, esse percentual é de 20%. “Os dados também demonstram que a segregação entre brancos e pretos é quase sempre maior que a segregação entre brancos e pardos”, ressalta o texto.
“A segregação racial residencial — onde indivíduos do mesmo grupo se concentram nos mesmos lugares, levando, dentre outras coisas, a uma desigualdade urbana — pode ser conseqüência de fatores relacionados às diferenças socioeconômicas, discriminação no mercado imobiliário ou a preferência de viver em vizinhança com pessoas de cor ou raça similar”, afirma o estudo, que atribui a análise a John Iceland, doutor em sociologia pela Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.
Essa distorção racial na distribuição espacial da população é agravada pelas deficiências estruturais típicas das regiões mais pobres. Em 2000, o percentual de negros que viviam em aglomerados subnormais era de 5,1%, enquanto a taxa dos brancos era de 2,8%. “Embora representassem menos da metade da população total, os negros constituíam dois terços da população ‘favelada’ do Brasil”, destaca.

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Januario Garcia - olhar negro, olhar brasileiro

Januario Garcia

Colômbia, Outubro de 2006. Foto: Januário Garcia

Um nome a conhecer melhor. Mais uma grande personalidade negra.
Inteligente, vivaz , otimo argumentador Januario nos conquisata com argumetos simpatia e charme.
O movimento negro nao precisa ser carrancudo. Nos brasileiros reinvidicamos unindo, abraçando.
Busque Januario. Ele sempre esteve perto de nos e com o seu olhar sobre um povo.

Em: http://www.palmares.gov.br/005/00502001.jsp?ttCD_CHAVE=334

Caçador da BELEZA

Januário Garcia acabou de chegar de Salvador. É uma manhã de sol, num domingo, no Rio de Janeiro. Marcamos a entrevista para às quatro da tarde, na casa dele, em São Cristóvão. Fotógrafo e uma das mais expressivas lideranças negras do Brasil, Januário esteve antes na Nigéria, para fotografar o carnaval da África. Notou muitas semelhanças com a festa de rua de Salvador e resolveu concluir o trabalho na Bahia. São fotos que vão se juntar a um rico acervo que conta a história do movimento negro no Brasil - desde os anos 60. Mas esse não é o único ângulo escolhido pelo ex-menino de rua que um dia trocou Belo Horizonte pelo Rio. A cidade foi generosa com ele. Nos anos 70 e 80, Januário Garcia foi um dos principais fotógrafos das capas dos antigos Long Plays dos grandes nomes da MPB. A foto do urubu em pleno vôo no disco homônimo de Tom Jobim é de Januário, Caetano Veloso no colo da mãe do disco "Muito" também, o Raul Seixas dos dez mil anos atrás também. A lista inclui ainda Chico Buarque, Tim Maia, Belchior, entre outros.

O risonho Januário

O táxi me deixa na porta de um prédio de quatro andares numa rua tranqüila, com crianças nas calçadas. Subo as escadas e sou atendido por Januário, dono de uma risada contagiante. Começamos a conversa por Tom Jobim, "uma pessoa diferenciada", conta Januário. Ele está preparando uma exposição "Instantes Instantâneos" do Maestro, com imagens de Tom e parceiros como Edu Lobo.

Como foi feita a foto do urubu? pergunto. Januário busca na memória o final do verão de 1976. Tom regressava dos Estados Unidos com um disco feito com total liberdade e recursos próprios. Voltou estimulado a conhecer melhor os hábitos do urubu. Passava horas no Jardim Botânico e na Tijuca observando a ave. Quando foi hora de escolher o nome do disco não teve dúvida: "Urubu". O desafio era fazer uma foto do bicho em pleno vôo para ilustrar a capa. Tom pediu ajuda ao filho Paulo Jobim, que tinha uma moderna máquina fotográfica, e foram inúmeras tentativas de registrar o bicho. Com o tempo, chegaram a conclusão de que precisavam da ajuda de um profissional. Tom recorreu então a Januário Garcia. "Ele me disse que "Urubu" era o disco mais bonito que tinha feito e pediu para embalar o trabalho com o coração". Foi preciso também certo preparo físico.

....

Com Raul

Raul Seixas é outra personalidade inesquecível. "Ele chegou com um litro de uísque que bebeu em pouco tempo, depois pegou uma garrafa de cachaça de Salinas e também bebeu. Aí disse a ele. Raul, você não tem medo de morrer bebendo desse jeito. Ele olhou o infinito, ficou em silêncio, não respondeu. Alguns minutos depois veio uma resposta que sintetiza toda a criação de Raul - "Januário não tenho medo de morrer, tenho medo de deixar de existir". Januário reforça o mito em torno de outro artista, Tim Maia. "Esse era difícil, a gente marcava a foto, arrumava uma pessoa do tamanho dele para definir a melhor luz, quando estava tudo pronto, toda a equipe esperando Tim chegava e dois minutos depois abandonava o estúdio". "Não vou fazer a foto hoje", dizia o compositor de "Só quero dinheiro".

Não foram só as estrelas da MPB que cruzaram o caminho de Januário. Ele mostra um caderno especial do Rio de Janeiro, com fotos de ângulos pouco vistos da cidade maravilhosa publicado pelo Jornal do Brasil. "Olha só quem escreveu os textos desse ensaio". Vejo o nome de nosso poeta maior - Carlos Drummond de Andrade.

Januário tem olhos de caçador e nasceu para ver a beleza. Quando vivia nas ruas do Rio de Janeiro, ainda adolescente pegou uma pneumonia que quase o levou à morte. "Eu estava no hospital e escutei o médico comentando que tinha poucas chances de vida, na hora juntei todas as minhas forças pela vida. Foi um milagre". Graças a esse milagre, Januário pode traduzir em imagens a música e a poesia do Rio de Janeiro. Antes da despedida, olhamos pela janela do apartamento. Na rua ainda estão as crianças.

- "Repare nas casas, sem muros, e só se fala em violência". O Rio é tranqüilo em São Cristóvão, no final da tarde de domingo. As balas estão perdidas em outros lugares. A cidade que luta contra a violência foi capaz também de transformar um ex-menino de rua em Januário Garcia, caçador da imagem do urubu em pleno vôo, da mãe terra e dos mistérios da existência.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Taís Araújo faz desabafo sobre paparazzi






























Em entrevista a uma publicação ela manda esses profissionais fotografarem casamentos

Taís Araújo manda um recado para os paparazzi: “Vai fotografar casamento, batizado, meu querido! Não pára de nascer criança para ser batizada e nem de casar gente”. O desabafo foi feito à revista “Lounge”, que chega às bancas na próxima semana no Brasil e em Portugal. Na matéria, a atriz que foi fotografada por Paschoal Rodrigues em estilo “black power fashion”, revelou sua insatisfação com os fotógrafos que só se preocupam em registrar imagens não autorizadas dos artistas.

“Eles enfocam só a vida pessoal e não mostram o que tem que mostrar. O nosso trabalho fica para segundo plano. Eles ainda têm a audácia de dizer que é o ganha-pão”. Na reportagem para a "Lounge", a mulher de Lázaro Ramos falou sobre o desejo de montar e atuar “A Megera Domada”, de Shakespeare e confessou o sonho de que chegue ao fim o preconceito contra os atores negros. “Eu sou uma mulher negra. O que espero da vida é que um dia possam me escalar para um papel e que não tenha na sinopse, ela é negra”.




domingo, 7 de outubro de 2007

A NOBREZA DO LEBLON VEM DO PASSADO...

http://www.ihp.org.br/docs/es19991116.htm

AS CAMÉLIAS DO LEBLON E A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA

Eduardo Silva

Um quilombo no que é hoje a Zona Sul do Rio, uma princesa (Isabel) que acolhia escravos fugidos no seu palácio e uma flor que servia de símbolo de um movimento subversivo: historiador junta as peças do quebra cabeça e reconstitui episódio esquecido do Império.

A crise final da escravidão, no Brasil, deu lugar ao aparecimento de um modelo novo de resistência, o que podemos chamar quilombo abolicionista. No modelo tradicional de resistência à escravidão, o quilombo rompimento, a tendência dominante era a política do esconderijo e do segredo de guerra. Por isso, esforçam-se os quilombolas exatamente em proteger seu dia-a-dia, sua organização interna e suas lideranças de todo tipo de inimigo ou forasteiro, inclusive, depois, os historiadores.

Já no modelo novo, o quilombo abolicionista, as lideranças são muito bem conhecidas, cidadãos prestantes, com documentação civil em dia e, principalmente, muito bem articulados politicamente. Não mais os poderosos guerreiros do modelo anterior, mas um tipo novo de liderança, uma espécie de instância de intermediação entre a comunidade de fugitivos e a sociedade envolvente. Sabemos hoje que a existência de um quilombo inteiramente isolado foi coisa rara. Mas, no caso dos quilombos abolicionistas, os contatos com a sociedade são tantos e tão essenciais, parte do jogo político da sociedade envolvente.

O Quilombo do Jabaquara, em São Paulo – uma das maiores colônias de fugitivos da história – é um bom exemplo do novo paradigma da resistência. O quilombo organiza-se em torno da “casa de campo de abolicionista” e os quilombolas erguem seus barracos com dinheiro recolhido entre pessoas de bem e comerciantes de Santos. A população local, inclusive as senhoras de bom nome, protege o quilombo das investidas policiais e parece fazer disso um verdadeiro padrão de glória. Quintino de Lacerda, o chefe do quilombo, levou uma vida bastante confortável e morreu rico, deixando extensa lista de bens, móveis e imóveis, para seus herdeiros, incluindo um pequeno tesouro amealhado em jóias de ouro e moedas de prata. Quintino não era um guerreiro no mesmo sentido que o foi Zumbi dos Palmares, o indomável general. Era já uma espécie de administrador, articulador, líder populista, intermediário, enfim, entre o quilombo e a sociedade em torno.

Sobre o quilombo do Leblon, no Rio de Janeiro, as notícias são ainda mais surpreendentes. A começar por seu idealizador, ou chefe, que era o português José de Seixas Magalhães. Os quilombolas não demonstravam qualquer indício de preconceito racial. Também o Seixas, positivamente, era um homem de idéias avançadas, dedicado à fabricação e comércio de malas e sacos de viagem na Rua Gonçalves Dias, no Centro, onde já utilizava os mais modernos recursos tecnológicos. Suas malas feitas com máquina a vapor, eram reconhecidas pelo mundo afora, e mereceram prêmios tanto na Exposição do Rio de Janeiro, quanto na Exposição de Viena d`Áustria.

Além de sua fábrica a vapor, o Seixas possuía uma chácara no Leblon, onde cultivava flores com o auxílio de escravos fugidos. Seixas ajudava os fugitivos e os escondia na chácara do Leblon com a cumplicidade dos principais abolicionistas da capital do Império, muitos deles membros proeminentes da Confederação Abolicionista. A chácara de flores, a floricultura do Seixas, era conhecida mais ou menos abertamente como o “quilombo Leblond”, ou “quilombo Le Bloon”, então um remoto e ortograficamente ainda incerto subúrbio à beira-mar. Era, digamos, um quilombo simbólico, feito para produzir objetos simbólicos. Era lá, exatamente, que o Seixas cultivava as suas famosas camélias, o símbolo por excelência do movimento abolicionista.

Naquela época, como infelizmente ainda hoje, a camellia japonica era uma planta relativamente rara no Brasil, introduzida no Rio de Janeiro há uns 60 anos, se tanto. Exatamente como a Liberdade que se pretendia conquistar, a camélia não era uma flor dessas comuns, naturais da terra e encontradiças soltas na natureza. Era, pelo contrário, uma flor especial, estrangeira, cheia de melindres com o sol, que requeria know-how, ambiente, mão-de-obra, relações de produção, técnicas de cultivo e cuidados muitíssimo especiais. Ainda em 1897, quase dez anos depois da Abolição, Olavo Bilac ainda contrapunha as “flores da mata”, a nossa natureza comum daqui mesmo, com as sofisticadas camélias, símbolo de refinamento e civilização. “Aí tens tu, leitor amigo, as flores da mata...Se não as queres, aqui tens as camélias formosíssimas, filhas da civilização, primores nascidos e criados à custa de cuidados sem conta”.

Como Quintino do quilombo do Jabaquara, o imigrante Seixas era um homem muito bem relacionado. Além da cumplicidade que tinha com os grupos abolicionistas do Rio, contava com a proteção da própria Princesa Isabel. Pelo menos o homem fornecia suas camélias, em bases regulares, ao Palácio das Laranjeiras, então residência da princesa e hoje sede do governo do Estado. As camélias do Leblon enfeitavam não apenas a mesa de trabalho da Princesa, como ainda sua capela particular, onde se apegava a Deus e fazia suas orações.

Para esse serviço simbólico, o Seixas reservava, é claro, as mais belas camélias do seu quilombo.

Tudo isso pode parecer muito interessante, mas, se pensarmos bem, a simples existência de um quilombo como o do Leblon, assim tão atuante e tão simbólico, não podia deixar de ser um escândalo público permanente, perpetrado nas barbas da polícia. O quilombo do Leblon era um ícone do movimento abolicionista, uma de suas melhores bases simbólicas e um dos seus trunfos para a negociação política. Por isso, na verdade, ninguém parecia muito interessado em dissimular ou esconder a existência do quilombo do Leblon, nem mesmo o Seixas ou qualquer de seus amigos abolicionistas. Estes, pelo contrário, lá promoviam ótimas festas de confraternização, batucadas animadíssimas, como aquela que aconteceu, por exemplo, no dia 13 de março de 1886, aniversário do Seixas. A turma abolicionista passou a noite toda na farra do Leblon e só lembrou de voltar altas horas da madrugadas. E vinham eles em animada cantoria pelo caminho, os quilombolas na maior folga do mundo tocando suas violas, e os abolicionistas aos gritos sediciosos de “vivam os escravos fugidos!” Isso durante todo o percurso a pé, do quilombo até chegar no Largo das Três Vendas, na Gávea, onde ficava o ponto final do bondinho puxado a burro que os traria de volta à civilização.

Além das festas e da batucada, outra boa evidência de que o Seixas não estava preocupado em esconder a existência do quilombo pode ser encontrada na subscrição popular que ofereceu uma pena de ouro à Princesa Regente, para com ela assinar a lei da Abolição. A lista é encabeçada pelo diretor da Revista Ilustrada, o abolicionista Angelo Agostini, e traz entre seus assinantes, todos pessoas físicas, uma entidade coletiva, o “Quilombo Leblond” como aparece escrito, e que todo mundo sabia tratar-se do Seixas das malas.

Quando o chefe de polícia, desembargador Coelho Bastos, o famoso “rapa-coco”, quis agir e pôr fim à cantoria abolicionista que se fazia na Gávea, no ponto final dos bondes, o Seixas foi protegido pela própria Princesa Isabel e, por trás dela, pelo Imperador do Brasil, que, segundo consta, pediu ao Barão de Cotegipe que encerrasse o caso sem maiores formalidades ou investigações.

A Princesa Isabel também protegia fugitivos em Petrópolis. Temos sobre isso o testemunho insuspeito do grande abolicionista André Rebouças, que tudo registrava em sua caderneta implacável. Só assim podemos saber hoje, com dados precisos, que no dia 4 de maio de 1888, “almoçaram no Palácio Imperial 14 africanos fugidos das Fazendas circunvizinhas de Petrópolis”. E mais: todo o esquema de promoção de fugas e alojamento de escravos foi montado pela própria Princesa Isabel. André Rebouças sabia de tudo porque estava comprometido com o esquema. O proprietário do Hotel Bragança, onde André Rebouças se hospedava, também estava comprometido até o pescoço, chegando a esconder 30 fugitivos em sua fazenda, nos arredores da cidade. O advogado Marcos Fioravanti era outro envolvido, sendo uma espécie de coordenador geral das fugas. Não faltava ao esquema nem mesmo o apoio de importantes damas da corte, como Madame Avelar e Cecília, condessa da Estrela, companheiras fiéis de Isabel e também abolicionistas da gema. Às vésperas da Abolição final, conforme anotou Rebouças, já subiam a mais de mil os fugitivos “acolhidos” e “hospedados” sob os auspícios de Dona Isabel.

André Rebouças, o intelectual negro de maior prestígio da época, fazia uma ponte entre o esquema de fugas montado pela Princesa, em Petrópolis, e o alto comando do movimento abolicionista, no Rio de Janeiro: o pessoal da Confederação Abolicionista, Joaquim Nabuco, Joaquim Serra, João Clapp, José Carlos do Patrocínio.

O quilombo de Petrópolis, o quilombo do Leblon ou o quilombo do Jabaquara são quilombos abolicionistas, isto é, fazem parte já do jogo político da transição. Para o modelo anterior, o quilombo rompimento, o melhor exemplo será sempre o de mocambos guerreiros como o mocambo heróico de Acotirene; o mocambo de Dambrabanga; o mocambo de Zumbi; o mocambo do Aqultume, sua mãe; o mocambo de Andalaquituche, seu irmão; a Cerca de Subupira; a Cerca Real do Macaco e toda a confederação a que chamamos Palmares.

Com a proteção do Imperador, felizmente, o quilombo do Leblon nunca chegou a ser investigado, continuando a Princesa a receber calmamente os seus ramalhetes de camélias subversivas. E com isso, como se pode imaginar, crescia barbaramente o poder simbólico das camelliaceas dentro do movimento político, sobretudo das que pudessem ser identificadas como “camélias do Leblon” ou “camélias da Abolição”. Na guerra simbólica que se instaura, uma ou outra vez, a Princesa ousou aparecer em público – o que era sempre notado pelos jornais – com uma dessas flores do Leblon a lhe adornar o vestido. O simbolismo estará presente até na hora da assinatura da lei, quando aproximou-se da princesa o presidente da Confederação Abolicionista, João Clapp, e lhe fez entrega, solenemente, de um “mimoso bouquet de camélias artificiais”. E, logo em seguida, quando aproximou-se também o imigrante Seixas, honrado fabricante de malas, que passou às mãos da Princesa um outro belíssimo buquê de camélias. Desta feita, contudo, camélias naturais, vindas diretamente do quilombo do Leblon.

Na verdade, a hoje aparentemente insuspeita camélia, fosse natural ou artificial, era um dos símbolos mais poderosos do movimento abolicionista. A flor servia, inclusive, como uma espécie de código através do qual os abolicionistas podiam ser identificados, principalmente quando empenhados em ações mais perigosas, ou ilegais, como o apoiamento de fugas e a obtenção de esconderijo para os fugitivos. Um escravo de São Paulo, por exemplo, que desse às de vila-diogo e viesse parar no Rio de Janeiro, podia identificar imediatamente os seus possíveis aliados, já na plataforma de desembarque da Estação D. Pedro II, simplesmente pelo uso de uma dessas flores ao peito, do lado do coração. Caso o fugitivo ignorasse totalmente os princípios básicos dessa semiótica, dificilmente poderia contar com a proteção da poderosa Confederação Abolicionista, fundada em 1883, cujo programa era, simplesmente, combater o regime. A camélia era bem o símbolo da Confederação Abolicionista e de seus métodos de ação direta. Naquele tempo, usar uma camélia na lapela, ou cultivá-la acintosamente no jardim de casa, era uma quase confissão de fé abolicionista. Alguns pés remanescentes desse tempo simbólico ainda podem ser encontrados em velhos jardins da cidade do Rio de Janeiro. São documentos vivos da história do Brasil.

Notas:

O autor é pesquisador da Fundação Casa de Rui Barbosa.

Na Casa de Rui Barbosa, no Rio de Janeiro, (Rui também atuou firmemente no movimento abolicionista) - existem, ainda hoje, três pés de camélias: dois no jardim frontal e um embaixo da janela do seu quarto de dormir.

domingo, 26 de agosto de 2007

A Justiça brasileira enxerga e discrimina!

Brasiligual identifica: temos que nos mobilizar para torna a Justiça brasileir um instrumento de iguladade.

Hoje vemos que:
1) Os promotores, juízes e funcionários não dão o exemplo de conduta -


2) Os julgamentos demoram anos


3) Os pobres são julgados pela sua condição social e cor


O que voce pode fazer... PROTESTE!!!

Apoie ativamente. Mande e-mail de apoio ao
Procurador da Republica : afernando@pgr.mpf.gov.br
Presidente do Superior Tribunal Federal:

Procurador insiste que STF abra ação penal contra os 40 acusados de envolvimento no mensalão


terça-feira, 24 de julho de 2007

Agora que voce já esqueceu!

Este gesto deveria ser repetido por negros em todas as competições.
Diogo Silva até ser o 1.o atleta a ganhar o ouro do Pan era invisível, parte das estatisticas. Daqui a pouco, pode ser que volte à invisibilidade.
Diogo, você é um exemplo para todos nós, e o seu gesto, suas palavras quando ganhou a medalha de ouro, foram inspiradoras.
Temos que usar cada milimetro na mídia para expressar mais do que a tríade: cerveja, molejo e suor.
Obrigado, campeão!





Campeão no tae-kwon-do defende cotas para negros e critica falta de apoio

Fonte: AgenciaBrasil
16-07-2007 19:30:34 - Brasil - ( Notícias ) - AgenciaBrasil
Um dia após conquistar a primeira medalha de ouro para o Brasil nos Jogos Pan-Americanos, Diogo Silva, atleta do tae-kwon-do, contou que “ralou” bastante até conseguir ser campeão.

Negro, filho de mãe solteira e manicure, Diogo nasceu em 1982 e foi criado num bairro pobre de Campinas, interior de São Paulo. Criança agressiva, foi levada ao tae-kwon-do aos sete anos para “queimar as energias”, após recomendação de um psicólogo. Descobriu o esporte e não parou mais. Tempos depois, fez nova descoberta: o rap, principalmente o do norte-americano Snoop Dogg, do qual tirou inspiração para o cabelo rastafári.

Diante da realidade social e esportiva difícil, que ele resolveu protestar e chamou a atenção da mídia, pela primeira vez, nas Olimpíadas de Atenas, em 2004. Na luta em que perdeu a medalha de bronze, ainda no tatame ele levantou o punho cerrado, seguindo um célebre cumprimento dos Panteras Negras, expoente do movimento black power, e usado pelos velocistas negros dos Estados Unidos, nas Olimpíadas de 1968 no México. À época, os atletas norte-americanos Tommie Smith e John Carlos foram impedidos de participar dos jogos novamente.

Segundo Diogo Silva, o gesto em Atenas foi para levantar questões de discriminação racial no país e para protestar contra as condições de treinamento na modalidade.

A favor das cotas para negros nas universidades, o lutador faz parte do movimento hip-hop de Campinas. Faz sempre questão de expôr sua visão crítica do mundo, e acha que os atletas brasileiros deveriam ter essa preocupação. “O esporte e a política caminham juntos, e os atletas precisam ter uma visão crítica. O Brasil precisa de boas referências”, destacou.A sua conquista foi dedicada aos companheiros da delegação brasileira de tae-kwon-do, que sofrem com a falta de patrocínio e com o “descaso" da Confederação Brasileira de Tae-Kwon-Do, responsável pela regulação oficial da modalidade e pelos repasses de recursos a atletas. “O nosso passado não é muito diferente do nosso presente. A maior dificuldade é financeira. Muitos atletas têm que custear a prática do esporte com o dinheiro do próprio bolso. Espero que, com essas medalhas no Pan [o tae-kwon-do ganhou também uma de prata, com Márcio Wenceslau], a gente consiga atrair mais público e patrocínios”, assinalou.

Para chegar a medalha de ouro, Diogo tirou dinheiro do próprio bolso. No início deste ano, gastou os R$ 5 mil que tinha separado para comprar um carro, para viajar à Bélgica e fazer sua preparação para os jogos do Rio de Janeiro. “Por diversas vezes pensei em desistir, porque já não tinha condições de me manter no esporte. Precisei me manter forte, não fraquejar. Essa foi minha maior barreira para chegar até aqui”, frisou.

Na noite de ontem (15), depois da vitória, ele conta que foi difícil “pregar” o olho para dormir. Colocou a medalha na cabeceira da cama, “para sonhar um pouco”, e ficou admirando o brilho do ouro, “meio extasiado”. “Pensei na minha mãe, que foi fundamental na minha vida. Pensei, também, que a minha maior vitória é a persistência, por saber que muitos ao meu redor desistiram, caíram, e eu continuo de pé”, finalizou.

Com sua cabeleira rastafári, seu sorriso fácil, Diogo Silva vive com R$ 600,00 por mês, pagos pela Confederação Brasileira de Tae-Kwon-Do. Pela manhã de hoje (16), viveu um dia cercado por fãs e atendeu a todos com carinho. Em meio ao tumulto, alguém deu a idéia para organizar a bagunça: formou-se então uma fila para fotos e autógrafos. Sempre simpático e atencioso, o atleta não tirava o sorriso do rosto.
Sinto muito orgulho do que está acontecendo agora na minha vida. Sou um atleta que ralou muito para poder estar recebendo esse carinho do público. Esta é minha gratificação”, disse ainda emocionado Diogo. Ontem, enrolado na bandeira do Brasil, chorou durante a execução do Hino Nacional, após vencer o peruano Peter Lopez na categoria até 68 quilos.

sábado, 14 de julho de 2007

A África nos deu o sangue e os ossos! - Antonio Olinto

Fenomenal frase!







Ontem na Globonews Alexandre Garcia comandava um painel sobre racismo, cotas, etc.
A iniciativa é fantástica porque nos leva ao debate e a encarar de frente esta que e a nossa maior vergonha: o preconceito racial.
O brasileiro se recusa a ir ao divã.
Neste painel a debatedora (procuradora) alegou que o mito da democracia racial seria benéfico por nos lembrar que somos iguais.
Brasiligual discorda: o mito serve para que todos estejamos confortaveis com a situacao atual. Ja que aqui nao existe cor (somos todos morenos) e uma traicao, coisa de chatos falar de racismo.

Ora, quantos negros (ou morenos) são destaques nas novelas, propagandas,etc?
O Vasco da Gama foi o primeiro clube de futebol a admitir negros. Aonde estavam os fiscais da democracia até então?

Não surpreeende a nós negro esta reação. O Estado brasileiro esteve sempre a serviço de uma minoria social e racial. Teorias foram elaboradas ou distorcidas para manter as coisas como sempre.

O brasileiro não gosta de ser "moreno". O brasileiro não é samba.
Quando ele quer ouvir musica negra, ouve jazz, blues. Maracatu, samba-de-roda, nunca.

É como se fossemos orfaos de mãe. E a nossa raiz negra, nos associasse com o que desprezamos.
O brasileiro se associa com a cor da pele mais clara porque esta é a cor do poder e das revistas de moda.

Mas este é o seculo da diversidade e ecologia.
Temos uma verdadeira integração aqui. Preto come sushi. Japa é mestre-sala. Branco come farinha.

Brasiligual decreta: Somos mais que Europa!Não vamos ter medo de sermos África!

Somos D-I-F-E-R-E-N-T-E-S.

E bradamos aos sete céus de KETO: Somos brasileiros, orgulhosos da nossa origem negra!

Acesseo site da Olympus (UM DIA NA AFRICA!) e veja estas fotos: http://www.olympus-global.com/en/event/DITLA/gallery/index.html

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Coincidência? Exagero?



"Além da impunidade, o espancamento de Sirlei levanta outra questão: o que leva jovens de famílias endinheiradas a cometer crimes? Nos últimos tempos, casos que envolvem delinqüentes bem-nascidos têm engrossado o noticiário policial. Para a psicanalista Junia de Vilhena, que coordena a Clínica de Violência na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, dois pontos combinados explicam esse comportamento: o primeiro é a falta de limites e valores nas famílias. “Os pais só querem ser amigos, não conseguem suportar a raiva dos fi lhos e acabam permitindo tudo. Desde crianças, eles não são acostumados a sofrer a conseqüência de seus atos. Não acreditam em punição”, afi rma. O segundo ponto é a idéia de que negros e pobres são cidadãos de segunda classe. O sociólogo Gilson Caroni Filho concorda: “Aqueles rapazes não saltaram do carro para bater numa prostituta ou numa doméstica. Saltaram para bater numa pessoa pobre. Boa parte da classe média ainda pensa sob a lógica da casa-grande e da senzala”.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Cotas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul










Em:

http://ufrgsprocotas.noblogs.org/








Claudia Fonseca (antropóloga, professora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFRGS, Núcleo de Antropologia e Cidadania)

"Brasil não é um país racista", ouvi na televisão ontem de um professor da UFRGS se manifestando contra cotas raciais. Que alívio, penso eu. Então o fato de brancos no Brasil viverem na média seis anos mais do que negros deve ser conseqüência de algum problema físico desses "outros".

Brasil "não tem segregação racial", leio numa coluna de opinião contra as cotas. Que bom. Aquela porção (quase o dobro dos brancos) que vive amontoada nos aglomerado subnormais deve refletir um gosto cultural pela vida simples. "Não há prova estatística impedindo a ascensão social de negros", leio de outro autor escrevendo contra cotas. Que consolo pensar que aquele grande número de negros vivendo abaixo da linha de pobreza ( 46.8% contra 22,4% dos brancos) deve ser porque eles simplesmente não se esforçam mais! Quanto à universidade, já que temos o vestibular para dar um atestado de neutralidade ao sistema meritocrático, devemos reconhecer que a falta de estudantes negros reflete não a discriminação racial, mas, sim, o quê? Uma inteligência inferior? Claro que não, pois esse seria um argumento racista. Não há negros na universidade, os anti-cotistas explicam, simplesmente porque esses postulantes ao vestibular têm menos anos de estudo do que os brancos e em escolas de pior qualidade. Seguindo essa lógica, a solução não é encontrar mecanismos para corrigir distorções e incluir esses historicamente prejudicados indivíduos na educação superior. É esperar que o sistema de educação fundamental melhore (ou se alguém está com pressa, que mude de bairro e entre numa escola de qualidade!).

Perdoem o tom irônico desse texto – mas fico pasma com esses argumentos pois, ao meu ver, revelam uma lógica profundamente racista. Pergunto – se não existe racismo no Brasil, como explicamos que, casualmente, os negros são os mais pobres, os mais doentes, os menos escolarizados da população? Se não é por causa da discriminação racial, deve ser por incompetência mesmo.... Quanto à questão do "racismo institucional", podem me explicar por que a porcentagem de negros no sistema prisional continua a bater todos os recordes? Além do "mero" efeito da pobreza desproporcional entre negros, pesquisadores como Sergio Adorno já demonstraram que, diante de acusações semelhantes, o réu negro é preso e condenado com muito mais freqüência do que seu cúmplice branco...

Aliás, é difícil entender como os anti-cotistas podem se abraçar aos argumentos sofistas de um jornalista, Ali Kamel, já amplamente criticado por sua total incompreensão da estatística (ver Luis Nassif ) quando os estatísticos mais qualificados do pais, trabalhando no IBGE e PNUD chegam a conclusões completamente opostas.

É como se os anti-cotistas estivessem comprando integralmente a noção da "democracia racial" – mito cunhado por Gilberto Freyre e já amplamente criticado por cientistas sociais durante esses últimos trinta anos. Claro que não existe segregação racial ou racismo no Brasil – do ponto de vista dos brancos que já têm acesso às benesses do ensino superior. Esses não têm preconceito contra "pessoas de cor", desde que elas aceitem se conformar ao lugar delas indicado pelas regras "universais" de nossa seleção. Será que algum jovem afro-brasileiro já mostrou ressentimento pelo fato de que não encontra praticamente nunca um médico ou dentista negro? De que, conforme o IBGE, o negro brasileiro, em 2000, ganha na média a metade do que ganhava o branco brasileiro em 1980 (com valores corrigidos)? De que um colega branco tem mais de cem vezes as chances de entrar na universidade (obrigada André). Bem – talvez haja um pouco de ressentimento – mas esse ressentimento não é nada em relação ao ódio racial que os brancos vão sentir se imaginam que algum negro está "burlando" o sistema (que sempre funcionou tão bem!) e passando na frente da fila. É assim que devemos entender o argumento dos anti-cotistas?

Se a maioria desses argumentos soam absurdos, há alguns que expressam uma dúvida compreensível. Será que cotas na universidade pública vão servir para combater a discriminação racial e desigualdade social no Brasil? É evidente que, nessa sociedade complexa, não é possível prever todas as variáveis que vão influenciar os resultados – positivos e problemáticos – das cotas. É também evidente que uma política isolada não surtirá por si só grande efeito. Por outro lado, a situação atual é intolerável para qualquer cidadão consciente do grau de desigualdade (racial e social) em nosso país.

Já existem mais de trinta instituições no país experimentando diferentes formas de cotas e, ao que tudo indica, não ocorreu nenhum cataclismo. Na grande maioria de casos, as cotas não semearam conflitos raciais entre os estudantes, não provocaram a perda de prestígio, nem a repentina degringolada de qualidade do ensino superior. Em outras palavras, a experiência com cotas – tal como a experiência com cotas para mulheres, indígenas,"nordestinos", ou qualquer outra categoria -- rende resultados diversos que valem a pena ser observados, analisados para reconhecer erros e ir aprimorando o sistema. Mas, para tanto, temos que ter a coragem de ensaiar novas políticas. A luta contra o assustador status quo tem que começar em algum lugar. E onde melhor do que numa instituição que se preza por sua reflexão crítica e politicamente engajada?

Os homens invisiveis do Brasil

Às
vezes andando nas ruas de Copacabana, me sinto como um fantasma.

Estou ao lado das pessoas, mas percebo que sou uma incômoda presença. Quase os atravesso, q

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Cidadãos de bem, velozes, em suas avenidas mentais. O último tênis, o último corte de cabelo, estão apenas cuidando de si. Ilhas e ilhas.

Ah, como queira que aquele menino com suas bolas de tênis nos surpreendesse com a sua habilidade no saibro. Gugas negros.

Somos milhões. E somos etéreos como o ar, por que como maioria, apenas assim podem nos ser indiferentes. Não pesamos quase nada ( e somos milhões!), nos adaptamos a quaisquer situações ("nós faz tudo dotô!).

Cidadãos de bem. Vejo milhares passarem por mim, e mesmo tendo cumprido um verdadeiro roteiro de cinema eu não estou aqui.

Me olho no espelho da vitrine da loja da esquina. Muito jovem, nem mesmo eu me vejo na minha novela das oito.

Afinal quantos protagonistas negros eu já havia visto?

Um segundo, um milímetro e agarro aquela bolsa, dou um piparote naquele guarda, dou um aú e uma rasteira naqule velhinho. Ah, um arrastão! Um mar como eu, em disparada, algazarra, que meninada!

Mais uma vez quase desisto de tudo. Estou descumprindo o papel que está tatuado em minha pele. Sou um marginal. O fato de estar em condicional não altera o meu crime.